Clínica de Vacinas


Vacinas & Imunodeficiências

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Erros inatos da Imunidade 

 

Com a evolução da genética e de estudos imunológico, cada vez mais têm-se descoberto novas alterações na imunidade da espécie humana e, atualmente são conhecidos cerca de 300 defeitos monogênicos diferentes que afetam o sistema inmune. Pesquisas recentes demonstram que as deficiências imunológicas são mais comuns do que se  pensava , com uma prevalência de  1:1000 - 2000 nascimentos.

 

Devido ao maior conhecimento a respeito dessas imunodeficiências, uma preocupação antiga tem aumentado: como proporcionar aos seus portadores uma maior sobrevida e com melhor qualidade de vida.
Imunizações de indivíduos com deficiência imune são um componente importante dessa preocupação.

 

O que são imumodeficiênicas ou erros inatos da imunidade?

 

São uma série de distúrbios que afetam o sistema imune levando a uma maior predisposição a desenvolver infecções muito graves, comprometendo a qualidade de vida  e podendo evoluior para a morte.
 Imunodeficiências podem ser classificadas em primárias ou secundárias. 

 

Imunodeficiências Primárias ou congênitas
 São aquelas em que a pessoa já nasce, podendo ser hereditárias  (ou não) e se caracterizam pela ausência ou insuficiência  de componentes e/ou funções do sistema imunológico, como na produção ou na função de células produtoras de anticorpos - linfócitos B (deficiência humoral), na disfunção ou diminuição de células de defesa como os linfócitos T
(deficiência celular) ou em ambas. Também pode haver imunodeficiências na produção ou ação de outras células ou substâncias essenciais para a nossa proteção, como as deficiências do Sistema Complemento, deficiências de interleucinas,  deficiências do sistema imune inato, etc.
Além da alta predisposição a infecções,  pessoas com deficiências do sistema imune também podem desenvolver alergias, câncer, doenças auto-imunes e doenças auto-inflamatórias.

Exemplos de deficiências primárias: 

  • SCIDS: imunodeficiências combinadas graves
  • Agamaglobulinemia
  • Imunodeficiências ligadas ao cromossomo X 
  • Doença granulomatosa crônica e muitas outras, que serão detalhadas mais à frente.

    Imunodeficiências Secundárias
     
    São adquiridas durante a vida e também podem ter alterações em componentes ou células do sistema imune, mas ocorrem secundariamente a doenças (retirada ou mal funcionamento do baço, insuficiência renal crônica, infeção pelo HIV, câncer, doenças de células do sangue) ou pela ação de drogas imunossupressoras ou radiações.

    Importante é saber que, independente de sua classificação, as deficiências do sistema imune predispõem a infecções muito graves e muitas delas podem evoluir para a morte ou um comprometimento severo da qualidade de vida.


    Sinais de Imunodeficiências

 


Vacinação de Pessoas com Imunodeficiência Primária

Complicações infecciosas são a maior causa de morbidade e mortalidade em pacientes com imiunodeficiência primária e uma  dos mais efetivos recursos para prevenir essas complicações é a vacinação.  


Pessoas portadores de deficiência imunológica podem receber vacinas?

 

Alguns sim e outros não, pois depende do tipo de deficiência, da situação clínica de cada indivíduo e do tipo de vacina a ser indicada.

Vacinas são usualmente classificadas de acordo com sua composição. Existem vacinas de microrganismos vivos e atenuados  e vacinas inativadas ou de subunidades. estas últimas, geralmente são seguras aos indivíduos comn deficiência imunológica e devem fazer parte de seu esquema vacinal de rotina exceto quando são insuficientes para acarretar proteção, como nos casos de imunodeficiências combinadas graves (SCIDS) , de Agamaglobulinemia  e também nos casos de pacientes que recebem terapia de imunoglobulina. Nesses casos não haverá indicação de vacinar, nem mesmo com vacinas inativadas. 

 

Diagnóstico Precoce antes de vacinar

 

Primeiramente é necessário o diagnóstico de cada imunodeficiência, que deve ser feito o mais cedo possível, antes de se indicarem as primeiras vacinas, de preferênica logo após o nascimento, para que haja tempo suficiente de tratá-la e evitar, ou amenizar suas consequências severas. Algumas vacinas são administradas para se diagnosticar deficiência de produção de anticorpos ou outras imunodeficiênicas, como a vacina pneumocócica 23, a vacina de tétano, difteria e coqueluche e a vacina de febre tifóide, sem prejuízo algum ao vacinado.

 

Em vigência de imunodeficiência, algumas vacinas podem ser menos eficazes ou totalmente ineficazes. Outras podem acarretar as próprias doenças às quais iriam prevenir. Por isso, a vacinação de pessoas com deficiência imune deve ser indicada, realizada e acompanhada por profisionais experientes e equipe multidisciplinar e suas indicações não são as mesmas dos calendários de vacinas convencionais, mas fazem parte de um calendário específico para cada tipo de alteração da imunidade.

 

Então quais vacinas podem ser administradas em indivíduos com imunodeficiência?

 

Grande parte dos portadores de determinadas imunodeficiências, por terem maior predisposição a infecções causadas por bactérias capsuladas, podem ter indicação de vacinas pneumocócicas (Pneumo 13 V ou Penumo 23),  vacinas contra Hib (Haemophilus influenzae tipo b) e vacinas meningocócicas  C, ACWY ou B, mas isso deve ser avaliado caso-a-caso e não de modo genérico. Importante enfatizar que tais vainas não contêm componentes vivos, sendo chamadas acelulares.

Vacinas de vírus ou bactérias vivos e atenuados são contra-indicadas na maioria das imunodeficiência.
Ex: vacina de sarampo, caxumba e rubéola (tríplice viral), varicela, tetraviral, zoster, febre amarela, BCG e rotavirus, mas existem exceções.

 

E pessoas que convivem com portadores de imunodeficiências? Devem ser vacinados?

 

Os contatos domésticos com pessoas que apresentam deficiência imunológica devem receber  todas as vacinas dos calendários convencionais, com exceção da vacina contra varióla (não licenciada para uso no Brasil), mesmo que esssas vacinas sejam compostas de vírus ou bactérias vivas. As vacinas de sarampo, caxumba e rubéola não transmitem vírus vacinais. Quanto à vacina de rotavírus, pessoas que tiverem contato com fezes e fraldas de bebês vacinados, devem imediatamente lavar as mãos antes de ter contato com portadores de imunodeficiências.

Além de não transmitirem essas doenças, os contatos domésticos vacinados adquirem proteção individual, principalmente em época de surto.

Outras vacinas que podem ser administradas em pessoas que convivem com outras que apresentam alteração da imunidade:

 

  • vacina contra Zoster
  • vacina contra Varicela - ambas as vacinas transmitem vírus vacinais raramente, mas se houver rash cutâneo pós vacinal, deve-se evitar o contato até que as lesões desapareçam.
  • vacina contra influenza de vírus mortos ou inativados

 

 

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