Infecções e Vacinas pneumocócicas

 

Infecçõe pneumocócicas

O pneumococo, bactéria denominada Streptococcus pneumoniae pode causar uma série de infecções, mas as principais são:

 

I - Infecções não invasivas: 

  • otite
  • sinusite


II-Infecções invasivas:

  • pneumonia
  • meningite

    Uma doença é considerada invasiva quando a bactéria atinge a corrente sanguínea e se dissemina para outros órgãos.
    O pneumococo tem essa capacidade. 

    A maior parte da população adulta tem, em suas vias aéreas vários sorogrupos de pneumococo que aí colonizam sem causar infecção, desde que o sistema imunológico esteja em pleno funcionamento, mas crianças menores de 18 meses e adultos acima dos 50 anos de idade têm maior probabilidade de adoecer. 

Como se dá atransmissão do pneumococo?

Ocorre através de gotículas respiratórias, espirros, tose, através do contágio indireto (mãos não higienizadas), secreções auditivas, principalmente em  escolas infantis, casas de repousos e creches.
Crianças são os principais carreadores (transmissores) do pneumococo.
 


Crianças e doença pneumocócica

Bebês ainda estão com seu sistema imunológico em desenvolvimento e não conseguem produzir uma quantidade suficiente de anticorpos de memória contra o pneumococo, antes dos 2 anos de idade.
Quando expostos à bactéria, através do contato com outras crianças ou adultos que têm a bactéria colonizada em seu trato respiratório, bebês têm maior risco de desenvolver otite, pneumonia e meningite pneumocócica. 
 

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Outros grupos de risco:
 

  • Crianças com doenças hematológicas, diabéticas, portadores de síndrome nefrótica, síndrome de Down, crianças com cardiopatia grave, com insuficiência renal crônica, portadores de doença crônica pulmonar ou do fígado.
  • Crianças que fizeram implante coclear
  • Crianças com malformações cerebrais ou da mesula espinhal.
  • Crianças com imunodeficiências primárias e secundárias,
  • Portadores de imunodeficiências primárias (principalmente aqueles com deficiência do Complemento ou de produção de anticorpos) e com imunodeficiências secundárias (por uso de medicamentos imunossupressores ou portadores do câncer, HIV ou doenças auto-imunes).
  • Aquelas que retiraram o baço ou têm mal funcionamento do mesmo
  • Crianças submetidas a transplantes
     


Adultos e doença pneumocócica

Adultos acima de 60 anos de idade, com o processo de senescência vão gradativamente perdendo certas capacidades do sistema imunológico e passam a ter maior risco de infecção pelo pneumococo, principalmente na forma de pneumonia e sinusopatias.

Abaixo dessa faixa etária, alguns adultos também têm fatopres de risco para doença pneumocócica:
 

  • Pessoas com situações crônicas como insuficiência hepática, cardíaca e renal, portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica - DPOC, enfisema pulmonar, asmáticos moderados a graves.
  • Portadores do HIV
  • Pessoas com câncer
  • Diabéticos
  • Dependentes químicos do álcool ou cigarro
  • Portadores de malformações cerebrais ou da espinha
  • Aqueles que fizeram implante coclear
  • Adultos com imunodeficiências primárias (principalmente os que têm deficiência do Complemento ou de produção de anticorpos) e aqueles com imunodeficiências secundárias (por uso de medicamentos imunossupressores ou portadores do câncer ou doenças auto-imunes).
  • Transplantados

 

Complicações decorrentes de infecções pneumocócicas

 

Complicações da sinusite e da otite: a principal é a meningite por pneumococo, a segunda forma de meningite mais frequente em crianças e adultos e a que mais deixa sequelas neurológicas graves. Outra complicação é a pneumonia.


Complicações decorrentes da pneumonia pelo pneumococo:
 

  • derrame pleural
  • insuficiência respiratória
  • hipóxia (diminuição das concentrações de oxigênio no sangue e tecidos)
  • pneumotórax
  • pneumatoceles (cavidades no parênquima pulmonar)
  • bronquiectasias
  • doença pulmonar obstrutiva crônica

    Algumas pessoas podem desenvolver meningite pelo pneumococo, mesmo sem ter desenvolvido outra infecção anteriormente, mas geralmente esta é uma complicação secundária.

Como posso prevenir a infecção pelo pneumococo?

A melhor forma de prevenção é através da vacinação, indicada para menores de 02 anos de idade, adultos acima dos 50 anos e portadores de situações crônicas em todas as faixas etárias (descritas acima)

Vacinas contra pneumococo

Atualmente são padronizadas duas vacinas para a proteção:
 
I- Vacina pneumocócica polissacarídica

Essa vacina é utilizada há muitos anos, sendo composta de açúcares (polissacrídeos) da cápsula de 23 pneumococos diferentes, que são considerados antígenos (substâncias que estimulam o sistema imunológico à produção de anticorpos).
Em crianças menores de 02 anos de idade não fornece proteção suficiente e nem por longo tempo, sendo recomendada somente acima dessa faixa etária.
Oferece um índice de proteção em torno de 60 a 70% contra pneumonia em pessoas maiopres de 65 anos de idade.
No Brasil é conhecida como vacina Pneumo 23 e está disponível na rede pública e privada.

A vacina polissacarídica é utilizada também para investigação diagnóstica em pessoas com suspeita de imunodeficiências de produção de anticorpos específicos contra o pneumococo.

II- Vacinas pneumocócicas conjugadas

São vacinas mais potentes pois, além de conterem antígenos polissacarídeos, também possui uma fração protéica  toxóide difitérico (conhecida como CRM197). A presença de antígeno proteico juntamente com os antígenos polissacarídicos da cápsula de pneumococos, além de produzir anticorpos de memória, mesmo em crianças pequenas, com um longo tempo de proteção, proporciona uma imunidade mais intensa e eficaz contra todos os tipos de infecção pneumocócica: as não invasivas (otite e sinusite) e as  invasivas (pneumonia e meningite).
Além disso, as vacinas pneumocócicas conjugadas contribuem para a diminuição de carreadores dessa bactéria entre crianças e adultos.

Atualmente existem duas vacinas conjugadas contra o pneumococo: a vacina pneumocócica 10 Valente (disponível nos postos de saúde no Brasil, para a vacinação de rotina de menores de 2 anos de idade) e a Vacina pneumocócica 13 valente (disponível para pacientes com condições especiais nos Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais na  rede pública e também como vacinação de rotina nas clínicas particulares).

Vacina pneumo 13V- proteção: 

  • 90% contra doenças invasivas em crianças
  • 45% contra pneumonia não bacterêmica em adultos com mais de 65 anos de idade
  • 75% contra doença invasiva em adultos

 

Segurança das vacinas pneumocócicas

Ambas as vacinas são comprovadamente seguras em todas as idades, mas adultos podem se queixar de dor e vermelhidão local, decorrentes de reação antígeno / anticorpo que pode ocorrer no sítio da aplicação. Pode ser perfeitamente tratada e não deixa sequelas. Os benefícios da vacinação superam esse evento adverso.

Doses de rotina das Vacinas pneumocócicas

Crianças devem receber as vacinas pneumocócicas conjugadas (Pneumo 13V)


Idades: 02, 04, 06 e 12 -15 meses
Crianças com condições crônicas continuam com indicação da vacina (dose única a cada 05 anos).

Adultos

 

  • Adultos de 50  a 59 anos de idade têm indicação da vacina Pneumo 13 a critério médico.
     
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  • Idosos
    Acima de 60 anos ela é recomendada, de rotina,  juntamente com a vacina pneumo 23, assim como para indivíduos com situações crônicas especiais (descrito acima).


Esquema vacinal para idoso
Iniciar com uma dose da VPC13 seguida de uma dose de VPP23 - 06 a 12 meses depois, e uma segunda dose de VPP23 cinco anos após a primeira.
ou:

  • Pessoas que iniciaram com a  VPP23: ,12 meses após devem receber a VPC13. A segunda dose de VPP23 deve ser feita cinco anos após a primeira, mantendo intervalo de seis a 12 meses com a VPC13.

•   Pessoas que  receberam duas doses de VPP23, têm indicação de 01 dose de VPC13, 12 meses após a última dose de VPP23. 
Se a segunda dose da vacina Pneumo 23 foi  antes dos 60 anos, deve ser aplicada uma terceira dose após essa idade, após cinco anos da última dose. 

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13. https://sbim.org.br/images/files/notas-tecnicas/nota-populacao-coronavirus-vacinas-final-100220.pdf

 

Dra. Maria do Carmo Duarte Oliveira
Pediatra e responsável Técnica
Clínica de Vacinas imunity
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