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Por que algumas vacinas dão reações?

 

Grande parte dos seres humanos ainda têm receio de vacinas, por considerá-las reatogênicas. Movimentos antivacinas têm se proliferado através de redes sociais alegando que vacinas são prejudiciais à saúde, mas todas essas chamadas "fake news", não sedo baseadas em evidências científicas, têm sido responsáveis por epidemias globais, como a de coqueluche, de sarampo e muitas outras, uma verdadeira catástrofe em saúde pública e causa de um aumento da morbidade e da mortalidade em todo o planeta.

 

Nem todas as vacinas dão reação, e, quando acontecem, são geralmente leves e transitórias, não comprometendo a saúde do indivíduo vacinado.

Nesse texto, procuro esclarecer porque podem ocorrer reações e quais mecanismos implicam no surgimento dos sintomas.

 

O conhecimento de como se manifesta o nosso sistema imunológico qundo há reações pode ajudar o profissional de saúde e a população geral a entender o quanto elas são seguras e necessárias para a prevenção de doenças severas.

 

Muitos estudos de farmacovigilância,com avaliação da reatogenicidade e segurança são publicados constantemente, como os desenvolvidos pela Organização Mundial de Saúde -OMS, European Medicines Agency e o FDA americano ("Food and Drugs Administration") podem assegurar que a reatogenicidade e a segurança das vacinas sejam perfeitamente toleradas pelos seres humanos.

 

 

O que são Vacinas?

 

Vacinas são compostos imunobiológicos que contém substâncias chamadas antígenos, responsávels por estimular o nosso sistema imunológico a desenvolver proteção específica contra doenças infecciosas. 

Quando uma vacina é administrada em nosso organismo, imediatamente o sistema imunológico a reconhece como se fosse um agente potencialmente perigoso, ou seja, que, potencialmente pudesse causar dano.

Receptores localizados em células próximas ao local da injeção, chamados Toll Like Receptors - TLR se ligam a moléculas estruturais dos microrganismos, as PAMPs e as DAMPs e os genes dessas células sofrem transcrição induzindo a produção e a liberação de citocinas. Essas substâncias, conhecidas como inteleucinas 1, 6, TNF-alfa e prostaglandinas, desencadearão uma série de eventos do sistema imune inato, recrutando para o local, outras células como neutrófilos, fagócitos e substândias mediadoras da inflamação, podendo resultar, também, em reação local, como vermelhidão, calor inchaço e dor. Quando esses mediadores chegam a circulação sanguínea, podem levar à febre , dor de cabeça ou cansaço.  Todos esses eventos ocorrem em menor proporção e intensidade nas atuais vacinas, sendo perfeitamente tolerados, em comparação com o efeito protetor que a vacina pode  determinar, não havendo motivo de contraindicá-la, com a justificativa da sua reatogenicidade.
Doenças as quais vacinas previnem, evoluem sim, de forma severa e muitas vezes levam à morte ou deixam sequelas perenes. Portanto, sempre vale a pena vacinar. reações vacinais, em sua grande maioria, não são graves e podem ser perfeitamente tratadas, enquanto os benefícios que as vacinas trazem são inestimáveis.

 

 

Principais fatores que podem estar implicados em reações vacinais

 

 

1- Fatores vacinais

 

  • composição da vacina
    Vacinas  de microrganismos vivos e atenuados podem acarretar sintomas semelhantes à doença a qual elas previnem, porém de forma leve, pois contém maior quantidade de antígenos que estimulam o sistema imunológico inato.
    É o que ocorre em 8-12% das vacinas contra sarampo, caxumba e rubéola, quando o bebê de 12 meses a recebe pela primeira vez. O mesmo não aconttece com as demais doses.
    Outro exemplo é a vacina da gripe de administração em aerosol nasal, utilizada nos Estados Unidos, que pode causar gripe amena em alguns vacinados. No Brasil, a vacina da gripe não é composta de vírus vivos, portanto não tem a capacidade de causar gripe.
  • Vacinas de microrganismos mortos apresentam antígenos mais purificados e por isso são menos reatogênicas (no Brasil, a maioria dessas vacinas é  padronizada na rede privada). 
     
  • a presença de adjuvantes na composição da vacina
    Adjuvantes são substâncias acrescidas às vacinas, para potencializar seu efeito protetor, sendo utilizados, geralmente em vacinas que contém um número maior de antígenos, como as vacinas combinadas (vacina Hexavalente, pentavalente, vacinas de meningite c, acwy e de meningite B, vacina penumocócicas conjugadas, etc).
    A presença de adjuvantes pode aumentar a possibilidade de reação, tanto no local como sistêmica, mas de curta duração e de pouca intensidade. Atualmente, muito poucas vacinas utilizam adjuvantes a base de sais de alumínio em sua composição, o que as tornou seguras e eficazes.
    Os principais adjuvantes utilizados e vacinas atuais são: virossomos (complexos semi-sintéticos de partículas virais sem o seu conteúdo genético), emulsões de água em óleo (que contêm esqualeno), imunoestimulantes como o MPL (monofosforil lipídio A),  e oligonucleosídeos, que agem potencializando a resposta imunológica com maior segurança. 

     
  • a concentração dos antígenos vacinais (substâncias que irão estimular o sistema imunológico), também pode influenciar em reações. Atualmente, a maioria das vacinas  contém uma concentracão antigênica cada vez menor, mas suficientes para induzir a proteção, com uma menor intensidade de reações, como as vacinas acelulares.
     
  • as propriedades psicoquímicas da vacina
    O PH, a viscosidade e a carga antígênica das vacinas utilizadas atualmente, pouco influenciam em sua reatogenicidade. 

     
  • o número de doses
    Há vacinas que determinam maior possibilidade de febre na primeira dose, outras, na segunda ou terceira, enquanto outras vacinas não acarretam reação em nenhuma dose.


     

 

2- Fatores relacionados à administração

 

  • o tamanho e o calibre da agulha utilizada
    Vacinas imtramusculares devem utilizar agulhas mais longas e flexíveis, introduzindo-as em um ângulo de 90 graus com a pele, principalmente em pacientes obesos.

     
  • a rapidez em que a vacina é aplicada - é ainda controversa em estudos publicados, mas a técnica deve prezar pela delicadeza e sempre se deve aspirar o conteúdo da seringa, antes de injetar, para se certificar que não está sendo aplicada por via endovenosa.
     
  • a via de administração:
    Aplicações por via intramuscular evoluem com menos dor durante a aplicação quando comparadas com aplicações subcutâneas. Isso ocorre porque o músculo tem menos fibras sensitivas à dor que o tecido celular subcutâneo. Um exemplo são as vacinas de varicela e sarampo, caxumba e rubéola, que podem doer mais durante a aplicação, por serem administradas  por via subcutânea. A dor ocorre somente no momento da aplicação, cessando minutos após.

 

3-Fatores inerentes ao paciente que recebe a vacina

 

  • idade:
    Crianças pequenas têm menos dor local depois de vacinas, mas a febre é mais comum nessa faixa etária.
    Crianças maiores e adolescentes podem ter mais receio de agulha e com isso manifestarem sintomas como palidez, tontura e queda da pressão arterial (reflexo vagal desencafeado pelo medo)
    Adultos e idosos têm maior tolerância a dor devido ao processo de envelhecimento do sistema imunológico inato, e também menor possibilidade de febre (liberarem menor quantidade de substâncias pró-inflamatórias Interleucinas 6, 10 e CRP. 

     
  • gênero 
    Estudos demonstram que pessoas do sexo feminino têm maior  possibilidade de dor local  e menor frequência de manifestação febril que as do sexo masculino, devido às diferenças hormonais e da espessura da pele.

     
  • diversidade sócio-cultural:
    Influencia na interpretação dos sintomas dependendo da condição social e cultural. Fatores étnicos podem também implicar, principalmente as diferenças genéticas. Quanto menor o desenvolvimento sócio-cultural, maior o receio de vacinas.

     
  • a quantidade de massa muscular e de peso
    Pessoas com maior camada gordurosa podem ter maior possibilidade de reação local por erro de técnica de aplicação (quando uma vacina intramuscular é aplicada na região subcutânea). Um estudo publicado na Nova Zelândia, utilizando a vacina de meningite B, observou que crianças pré-escolares e escolares que têm maior índice de massa muscular podem ter maior predisposição à dor local, mas sua intensidade pode ser amenizada pela técnica correta da injeção. 

     
  • o rítmo circadiano
    Dependendo do período diurno ou noturno, nosso sistema imunológico é influenciado, principalmente em sua resposta inflamatória. Substâncias pró-inflamatórias e citocinas são sincronizadas durante o sono, para facilitar a imunidade adaptativa, e por isso pode haver maior possibilidade de febre e outros sintomas à noite. Durante o dia, aparentemente ocorre uma maior tolerância à dor e outros sintomas.

     
  • o estado de saúde no momento da vacinação
    Pessoas devem estar o mais saudáveis possível no momento da vacinação. A presença de doença pode, não somente aumentar os sintomas pós vacinais, como piorar a doença pré-existente. 

     
  • a presença de imunidade pré-existente
    Algumas vacinas, como a DPT (Tétano, Difteria e Pertussis), a dT e a vacina isolada contra o tétano, pode se manifestar com maior possibilidade de reação local  (vermelhidão e/ ou dor) em pessoas que já receberam várias doses anteriormente, como crianças a partir dos 04 anos, adolescentes e adultos. Isso ocorre porque essas pessoas têm anticorpos de memória, que reagem com os antígenos vacinais logo na porta de entrada da vacina. Conhecida como "Reação de Arthus", pode ser amenizada com o acompanhamento e tratamento pós-vacinal.
    Também há a possibilidade de reações de hipersensibilidade em doses repetidas da vacina anti-tetânica, 

    O mesmo pode ocorrer com a segunda dose da vacina contra varicela (catapora) em que, algumas crianças podem ter uma reação local na forma de vesícula, indolor, deixando uma cicatriz pequena no local da aplicação.

    Crianças maiores de 06 anos de idade podem ter maior possibilidade de febre ou dor no local da injeção, ao receber a vacina de sarampo, caxumba, rubéola e vacicela (tetraviral), provavelmente porque o sistema imunológico envia linfócitos T para o local da injeção.

     
  • o grau de stress psicológico
    O stress antes da vacina pode influenciar o sistema imunológico de várias formas, principalmente na liberação de substâncias pró-inflamatórias, atém da contratura muscular durante a aplicação.


    Concluindo

    Reações são fenômenos que podem fazer parte da resposta imune de uma vacina, mas podem ser amenizados quando a equipe de profissionais se preocupa em se atualizar constantemente, providencianldo um ambiente apropriado para a vacinação, utilizando tecnicas de administração corretas. Quando os profissionais responsáveis pelas vacinações são devidamente instruídos e têm pleno conhecimento sobre os fenômenos qu implicam em maior possibilidade de reações, estas podem ser amenizadas e tratadas. Eles têm um papel fundamental na maior proteção e menor índice de reações em seus vacinados.

 

 

Dra. Maria do Carmo Duarte Oliveira

Pediatra Responsável Ténica
 

Clínica de Vacinas imunity®

Referências:

 

1. Vaccine-Hesitant and Vaccine-Refusing Parents' Reflections on the Way Parenthood Changed Their Attitudes to Vaccination. 

Rozbroj, T;  Lyons, A;  Lucke, J

J Community Health ; 2019 Aug 07.

 

2.Initial Experiments for Pharmacovigilance Analysis in Social Media Using Summaries of Product Characteristics. 

Campillos-Llanos, Leonardo;  Grouin, Cyril;  Lillo-Le Louët, Agnès;  Zweigenbaum, Pierre

Stud Health Technol Inform ; 264: 60-64, 2019 Aug 21.

 

3. The how’s and what’s of vaccine reactogenicity

Caroline HervéBéatrice LaupèzeGiuseppe Del GiudiceArnaud M. Didierlaurent & Fernanda Tavares Da Silva 
npj Vaccines volume 4, Article number: 39 (2019)

 

4.Comparative transcriptomics between species attributes reactogenicity pathways induced by the capsular group B meningococcal vaccine, 4CMenB, to the membrane-bound endotoxin of its outer membrane vesicle component

 

Dylan SheerinDaniel O’ConnorChristina DoldElizabeth ClutterbuckMoustafa AttarChristine S. RollierManish Sadarangani & Andrew J. Pollard 

Scientific Reports volume 9, Article number: 13797 (2019)