O Inverno, doenças de transmissão respiratória em crianças pequenas e suas complicações

 

Em todo o planeta, infecções respiratórias são uma causa comum de morbidade e mortalidade infantil e no

inverno  a incidência dessas doenças aumenta ainda mais.

 

Bebês e crianças pequenas, que ainda não desenvolveram completamente seu sistema imunológico, muitas delas frequentando berçários e creches, são mais vulneráveis a vírus  e outros microrganismos de transmissão respiratória.

 

Prematuros e crianças com condições especiais, como asma, bronquite  e outras doenças crônicas pulmonares, portadores de cardiopatia, doenças renais, doenças neurológicas e imunodeficiência primária ou adquirida, são ainda mais suscetíveis a estas infeções durante os meses de  inverno e podem morrer devido às suas complicações.

 

Inúmeras pesquisas comprovam que o inverno intensifica o número de hospitalizaçõe decorrentes de vírus respiratórios, principalmente com enorme prejuízo humano e econômico.

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Figura: Entre 2007–2011: estudo americano identificou 29000 casos de hospitalização por doença pulmonar grave, com necessidade de internações em UTIs e maior frequência em crianças abaixo de 01 ano de idade, além de portadores de situações especiais.

 

 

Muitos vírus respiratórios estão implicados no desencadeamento de crises de asma e outras complicações em crianças pequenas durante o inverno. O vírus influenza A H1N1, seguido pelo vírus influenza A H3N2, é um dos principais determinantes da síndrome respiratória aguda grave - SRAG, mas estudos epidemiológicos recentes demonstram a importância do vírus Sincicial respiratório, causador da bronquiolite, preferencialmente em bebês prematuros.

 

Outros vírus respiratórios

 

Alguns vírus, aparentemente inofensivos, que se manifestam muitas vezes com infecções leves, como o Rhinovírus, podem ser catastróficos em bebês de pouca idade, pois têm uma alta implicância no desencadeamento de asma e síndrome do bebê chiador crônico (bebê sibilante), que apresenta sintomas semelhantes à asma.

 

O Adenovírus, o vírus Parainfluenza, o vírus da metapneumonia, vírus intestinais (entero vírus), além de bactérias como o pneumococo, a Bordetella pertussis (causadora da coqueluche),  e o Micoplasma também causam complicações em bebês e são transmitidos comumente em berçários, creches e escolas infantis.

 

Doenças comuns em crianças pequenas durante o inverno

 

Gripe (influenza)

Bronquiolite (vírus Sincicial respiratório)

Asma desencadeada por vírus respiratórios ( principalmente pelo vírus influenza e Rhinovírus)

Coqueluche

Pneumonia viral e bacteriana

Sinusite

Otite

Laringite estridulosa

Entero viroses com manifestações respiratórias

Sarampo

Caxumba

Rubéola

Meningite meningocócica 

 

 

Principais complicações

 

Síndrome respiratória aguda - SRAG

Síndrome do bebê criador cr6nico (sibilante)

Insuficiência respiratória aguda

Síndrome do mal asmático

Meningite por pneumococo ou por Haemophilus influenza tipo b

Síndrome de Kawasaki

Hipertensão pulmonar

Bronco displasia

Bronquiolite obliterante

Encefalites

Sepse (infecção generalizada)

Outras

 

Podemos observar, que, muitas dessas doenças virais ou bacterianas, transmitidas por via respiratória  podem ser prevenidas através de vacinas.
 

Por isso devemos ter a responsabilidade de vacinar nossos filhos e também nos vacinarmos, para diminuir a transmissão destas doenças, como é o caso da gripe e da coqueluche. Quando os pais e pessoas que terão contato direto com essas crianças são vacinados, conseguem diminuir o contágio e indiretamente as protegem.

 

A vacinação contra o sarampo, poderá coibir a epidemia global que atualmente acomete milhões de pessoas.
 

A prevenção da bronquiolite pode ser realizada através do Palivisumabe, uma medicação composta de anticorpos monologais contra o vírus Sincicial respiratório,  e assim salvar a vida de muitos bebês prematuros.

 

No outono, antes do clima frio chegar, a vacinação é fundamental e atrasar ou omitir vacinas poderá acarretar um enorme risco à vida de nossos filhos e de toda a populaçÃo humana.

 

Crianças pequenas demoram mais para obter proteção após serem vacinadas contra gripe (influenza), por isso a vacina deve ser aplicada, de preferência ainda no outono, para que estejam protegidas contra gripe e suas complicações durante o inverno.

 

Quando meu bebê é vacinado contra gripe, deve aguardar 30 dias para receber outra e qualquer. vacina?

 

A vacina da gripe pode ser associada a qualquer outra vacina em qualquer intervalo, pois não é composta de vírus vivos.
Por isso não é seguro atrasar outras vacinas (tão importantes quanto) durante a campanha contra gripe.
Infelizmente, ainda há muitas pessoas que acreditam na necessidade de aguardar 01 mês para dar outras vacinas (de rotina) após vacinarem seus bebês contra gripe. Isso não tem fundamento científico. Milhares de estudo científicos comprovam que a vacina contra gripe (influenza) pode ser administrada no mesmo dia ou em qualquer intervalo com outras vacinas.

 

Pense: vacine!

 

Dra. Maria do Carmo Duarte Oliveira
Pediatra e Responsável Técnica 
Clínica de VAcinas imunity

 

 

 

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